Um projeto de dados da Fundação Âncora·Habitação acessível permanente em Portugal

Modelo exploratório

Metodologia, pressupostos e fontes

Como a Fundação Âncora estima a necessidade de arrendamento acessível permanente, concelho a concelho, em duas lentes (carência e classe média) e três cenários de ambição. Voltar ao mapa · dados (CSV).

A Fundação Âncora oferece arrendamento acessível (não compra). O mesmo território é lido por duas lentes — duas necessidades que a FA serve com renda de custo — em vez de um índice único.

Lente A — Carência (base)

taxa = sobrelotação + alojamentos não clássicos + 25% dos a precisar de reparação + 20%·risco de pobreza
fogos = θ · max(0, taxa·agregados − 0,5·vagos mobilizáveis)

Lente B — Classe média (arrendamento acessível)

Agregados não pobres sob pressão do arrendamento de mercado.
fogos = θ · agregados · (1 − risco de pobreza) · esforço* · esforço* = quão acima de 25% está a taxa de esforço com renda (satura a 55%).
O preço €/m² e os "anos de salário" para comprar servem de contexto de mercado, não entram na contagem.

A ambição (θ: 0,20 / 0,35 / 0,50) define a fração do universo sob pressão que a FA serve; o total combina as duas necessidades.

Denominadores

  • População = real, Censos 2021 (INE, varcd 0011609) por concelho; agregados = população ÷ 2,49.

Dicionário de indicadores

Todos os campos abaixo estão no CSV descarregável, uma linha por concelho — não falta nenhum: o CSV tem inclusivamente dois campos do 1.º Direito (nº de candidaturas, probabilidade de financiamento) que não aparecem na ficha por já lá caberem os essenciais. Os indicadores de mercado, habitação social e parque habitacional — os que aparecem na ficha de cada concelho, região e Portugal — têm cada um a sua página própria, com definição, fonte, ano de referência e mapa por concelho: ver todos →. Os campos mais estruturais ficam descritos aqui.

Demografia e território

  • População (Censos 2021) — população residente, contagem oficial do Censo. Nº de pessoas. Fonte: INE, Censos 2021.
  • População (estimativa INE, 2025) — estimativa anual pelo método de componentes demográficas (nascimentos, óbitos, migração desde o Censo). Nº de pessoas. Fonte: INE, Estimativas de População Residente. Não é o mesmo conceito estatístico que o Censo — para o próprio ano de 2021 já divergem (ex. Lisboa: Censo 545 796 vs. esta série 605 447) — por isso nunca subtraímos um do outro para calcular "crescimento".
  • Agregados (estimativa) — população ÷ 2,49 (tamanho médio do agregado familiar).
  • Alojamentos (estimativa) — fogos existentes estimados a partir da população.
  • Área, Densidade — área do concelho (km²) e população ÷ área.

Mercado — contexto adicional

  • Anos de salário (p/ comprar) — anos de salário necessários para comprar habitação, calibrado à mediana nacional. Contexto de mercado; não entra na contagem de fogos.

Financiamento público — 1.º Direito

  • 1.º Direito — fogos e financiamento aprovado (€) do Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, via PRR. Fonte: agregado publicado pelo DataH; a fonte primária não está entre as documentadas (INE/DGT/ANPC) e não é auditável de forma independente — usar com a mesma reserva que a "necessidade declarada" abaixo.

Como agregamos região e país

Os concelhos usam os valores diretos. Para região e Portugal, agregamos assim:

  • Somas: população, agregados, alojamentos, área, e os três campos do 1.º Direito (fogos, € aprovados, candidaturas) — mais a % de concelhos financiados.
  • Médias ponderadas pelo parque habitacional (nº de alojamentos existentes): preço, renda, sobrelotação, habitação social, Alojamento Local, envelhecimento, degradadas, reabilitação, vagos.
  • Médias ponderadas pela população: habitação precária, ganho mensal.

Isto é uma aproximação, não um recálculo estatístico exato — não temos acesso aos dados em bruto por trás de cada mediana/rácio de concelho, só o valor já calculado. É especialmente relevante para preço, renda e envelhecimento (todos rácios ou medianas), onde a "média das médias" pondera bem a escala mas não reconstrói com exatidão a distribuição regional.

Cautelas

  • Modelo exploratório da Fundação Âncora, não estatística oficial. Pesos e θ são opções de juízo.
  • A população é real (Censos 2021/INE); agregados e fogos existentes derivam dela. Rendimento é um proxy (poder de compra per capita) só na Lente B, não salário em €.

Fontes

DataH — Análise Dinâmica para Abordagens Territoriais à Habitação: indicadores municipais abertos (esforço com renda 2023, preço 2024, poder de compra e indicadores de carência sobre Censos 2021), geometria dos 308 concelhos e uma "necessidade declarada" por concelho via municipios-v2 (correspondência ao oficial não confirmada, usar com reserva).

Referências oficiais de carência (contexto): Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional (IHRU, 2018) = 25 762 famílias; carência habitacional declarada ≈ 135 000 agregados (GOVCOPP, Universidade de Aveiro, 2024); 1.º Direito dimensionado para ~59 000 soluções até 2030.

INE: população residente por concelho (Censos 2021 e Estimativas de População Residente), rendas de novos contratos e obtida da API do INE. MTSSS/GEP: ganho mensal (Quadros de Pessoal). DGT: Alojamento Local.

DataH é um projeto de CiTUA (IST), CEAU-FAUP (U.Porto) e GOVCOPP (U.Aveiro), financiado pela FCT / PRR, com cooperação de INE, IHRU e ANMP. Dados sob licença CC BY 4.0, usados como obra derivada com atribuição.

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